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Post escrito por Yeltsin Lima
Foi divulgado em diversos meios de comunicação a carta aberta do incrível grupo Anonymous em resposta à citação de que o grupo era uma ameaça ao governo e ao povo. Abaixo, trechos da carta que é bem interessante.
O Anonymous gostaria de lembrá-los que o governo e o povo são, ao contrário do que dizem os supostos fundamentos da ‘democracia’, entidades distintas com objetivos e desejos conflitantes, às vezes. A posição do Anonymous é a de que, quando há um conflito de interesses entre o governo e as pessoas, é a vontade do povo que deve prevalecer. A única ameaça que a transparência oferece aos governos é a ameaça da capacidade de os governos agirem de uma forma que as pessoas discordariam, sem ter que arcar com as consequências democráticas e a responsabilização por tal comportamento. (…)
E eu estou de total acordo. Inclusive quando se diz em questões de apoio à grupos minoritários. Seja no país, seja em qualquer lugar do mundo. Até acredito que a ação do Wikileaks e do grupo Anonymous, em alguns países, foram de extrema importância para uma melhor democracia. Afinal, por que documentos democráticos precisam ficar em sigilo total, já que a democracia é do povo?
O Anonymous não aceita que o governo e/ou os militares tenham o direito de estar acima da lei e de usar o falso clichê da ‘segurança nacional’ para justificar atividades ilegais e enganosas. Se o governo deve quebrar as leis, ele deve também estar disposto a aceitar as consequências democráticas disso nas urnas. Nós não aceitamos o atual status quo em que um governo pode contar uma história para o povo e outra em particular. Desonestidade e sigilo comprometem completamente o conceito de auto governo. Como as pessoas podem julgar em quem votar se elas não estiverem completamente conscientes de quais políticas os políticos estão realmente seguindo?
Eu ainda acho que tem brasileiro dentro desse Anonymous. Nós mesmo, convivemos diariamente com isso. Você tem a imagem de que um político é direito, ele é eleito e comete atrocidades em seu governo. Não falo especificamente de algum governo, falo de todos. Todos os governos cometeram abusos de poder. E os nossos políticos, praticam diariamente a prática de estar acima da lei e nem é pela segurança nacional. É por interesses próprios. Propina, corrupção e muitos outros crimes que já estamos cansados de ver.
Quando um governo é eleito, ele se diz ‘representante’ da nação que governa. Isso significa, essencialmente, que as ações de um governo não são as ações das pessoas do governo, mas que são ações tomadas em nome de cada cidadão daquele país. É inaceitável uma situação em que as pessoas estão, em muitos casos, totalmente não cientes do que está sendo dito e feito em seu nome – por trás de portas fechadas.
Você votaria em um político que foi acusado de corrupção ou que foi condenado por outros crimes mais graves ainda? Infelizmente grande parte da população não tem acesso a esses dados. Mesmo que todo o seu círculo social saiba que fulano foi condenado à corrupção, a televisão (principalmente a brasileira) não mostra todos os fatos, principalmente se eles forem contra o interesse do órgão. E nem venham citar apenas uma empresa.
Anonymous e Wikileaks são entidades distintas. As ações do Anonymous não tiveram ajuda nem foram requisitadas pelo WikiLeaks. No entanto, Anonymous e WikiLeaks compartilham um atributo comum: eles não são uma ameaça a organização alguma – a menos que tal organização esteja fazendo alguma coisa errada e tentando fugir dela.
E talvez seja esse o medo de alguns políticos em que suas informações se tornem pública. Quer um exemplo disso? O jornal Estadão de publicar qualquer matéria sobre a Operação Faktor ou Operação Boi Barrica, saiba mais sobre no site do Estadão, que investiga Fernando Sarney na suspeita de fazer caixa dois na campanha de Roseana Sarney na disputa pelo governo de Maranhão em 2006.
Nossa mensagem é simples: não mintam para o povo e vocês não terão que se preocupar sobre suas mentiras serem expostas. Não façam acordos corruptos que vocês não terão que se preocupar sobre sua corrupção sendo desnudada. Não violem as regras e vocês não terão que se preocupar com os apuros que enfrentarão por causa disso.
Não tentem consertar suas duas caras escondendo uma delas. Em vez disso, tentem ter só um rosto – um honesto, aberto e democrático.
Vocês sabem que vocês não nos temem porque somos uma ameaça para a sociedade. Vocês nos temem porque nós somos uma ameaça à hierarquia estabelecida. O Anonymous vem provando nos últimos que uma hierarquia não é necessária para se atingir o progresso – talvez o que vocês realmente temam em nós seja a percepção de sua própria irrelevância em uma era em que a dependência em vocês foi superada. Seu verdadeiro terror não está em um coletivo de ativistas, mas no fato de que vocês e tudo aquilo que vocês defendem, pelas mudanças e pelo avanço da tecnologia, são, agora, necessidades excedentes.
Houve uma era, na verdade ainda há, em que hackers apenas praticavam seus atos por diversão. Ou para causar dano para alguma empresa, seja por vingança, seja por revolta ou por qualquer coisa, até para explorar vulnerabilidades e avisar aos profissionais de segurança que existem falhas em seus sistemas. São chamados, na maioria das vezes, de white hat (chapéu branco. Ou seja, não tem o objetivo de causar nenhum dano para a pessoa/empresa). E existem os hackers chamado black hat (chapéu preto. Que incluem os defacers - aqueles que tiram o site do ar e deixam alguma imagem ou texto no local. E outros tipos que eu não lembro agora). Os crackers são os hackers que atuam sob a prática de black hat. Um é sinônimo do outro.
Com o grupo Anonymous a figura passa a mudar. Em minha opinião, esses hackers não podem ser classificados como black hat, mesmo que eles roubem informações. Já que essas informações podem ser usadas pelo povo, para demonstrar que existe corrupções e atividades ilegais no governo em que vivemos. Não espere que essas informações vazem de uma forma natural, só com o apoio desses hackers é que essa informação pode chegar em nossas mãos.
Finalmente, não cometam o erro de desafiar o Anonymous. Não cometam o erro de acreditar que vocês podem cortar a cabeça de uma cobra decapitada. Se você corta uma cabeça da Hidra, dez outras cabeças irão crescer em seu lugar. Se você cortar um Anon, dez outros irão se juntar a nós por pura raiva de vocês atropelarem quem se coloca contra vocês.
E a Sony aprendeu isso da pior forma. Não adianta você tentar colocar o GeoHot atrás das grades. Por vingança, um outro grupo atacou a empresa e o prejuízo foi muito maior. Lembro de um amigo reclamando de que o que o GeoHot fez “estragou” os jogos, já que qualquer um poderia conquistar badges e pontuações altas. Mas acredite, ficar mais de duas semanas sem poder jogar o seu jogo (graças à licença DRM ou mesmo por jogar online) é muito pior.
Sua única chance de enfrentar o movimento que une todos nós é aceitá-lo. Esse não é mais o seu mundo. É nosso mundo – o mundo do povo.
Somos Anonymous.
Somos uma legião.
Não perdoamos.
Não esquecemos.
Esperem por nós…”
Podem me julgar, mas eu não considero as ações do Anonymous como cyberterrorismo. Considero ações como a do governo dos EUA em colocar um vírus para roubar informações das usinas nucleares do Irã ou vice-versa. Ou hackers chineses atacando o Google para obter informações de ativistas, entre diversas outras informações que recebemos diariamente.
Eu apóio tanto o Anonymous quanto o Wikileaks. Inclusive vocês podem visualizar documentos que citam o Brasil e que foram vazados pelo Wikileaks. Inclusive, deixo um link para vocês de um filme que inspirou o Anonymous. Esse. Com link do The Pirate Bay, e com arquivos hospedados no The Pirate Bay. O que me exclui do mimimi da DMCA.
ATUALIZAÇÃO: Fonte do texto é o blog Treta, com a tradução realizada pelo Estadão.
Curso o primeiro período de Publicidade & Propaganda na Faculdade Integradas Barros Melo (AESO), sou colaborador do Meio Bit e fundador do DicasWP.