Redes Sociais: Passado, presente e futuro

Post escrito por Yeltsin Lima

Esse artigo foi escrito para participar da mini-promoção que a Globo Nordeste está realizando para a palestra do publicitário Cristiano Dias. Não tenho nenhuma ligação com a Globo Nordeste nem com o Cristiano Dias (apenas estou participando da promoção). As fontes estão no final do texto.

As redes sociais são o assunto da década. Mas, será que tanta discussão pode resultar numa “bolha 2.0″? Primeiro, a definição de Redes Sociais (segundo a Wikipédia): estrutura social composta por pessoas ou organizações, conectadas por um ou vários tipos de relações, que partilham valores e objetivos comuns. As redes sociais permitem relacionamentos horizontais e não hierárquicos entre os participantes. Elas podem operar em diferentes níveis, como, redes de relacionamento (Orkut, Facebook, MySpace, Twitter), redes profissionais (LinkedIn), redes comunitárias, entre outras. E algo que é comum entre todas é o compartilhamento de conhecimento, informações, interesses e esforço em busca de objetivos comuns (seja ele qual for). Você pode visualizar o artigo completo, sobre redes sociais na Wikipédia em português.

A primeira rede social foi lançada em 1997 e tinha o nome de SixDegrees.com. Permitindo usuários criarem perfis, listar seus amigos e a partir de 1998, navegar na lista dos amigos alheios. Esses serviços já existiam antes, em plataformas separadas. O serviço SixDegrees foi o primeiro serviço a combinar essas funções em uma só plataforma. Mas, o serviço não se deu bem e em 2000, o serviço saiu do ar. O MySpace foi criado em 2003 para competir contra o Friendster, Xanga e AsianAvenue. Seu objetivo inicial não era música (apesar dele ser referência no assunto). Seu crescimento iniciou quando usuários cansados dos problemas ocorridos no Friendster (serviço fora-do-ar, restrições (isso me lembra o Orkut), perfis falsos (isso também me lembra o Orkut) e crescimento em países emergentes mas, diminuição nos Estados Unidos (!!)). Muitas bandas, gostaram da interação entre fãs e banda e passaram a utilizar o serviço como forma de contato entre os seus fiéis ouvintes.

A rede começou a receber cadastros em massa em 2004. A maioria eram jovens, que nunca tinha usado o Friendster antes. Mas, que estavam interessados em se conectar com as suas bandas favoritas. Com o crescimento do número de adolescentes, o MySpace tomou uma política bastante estratégica: ao invés de banir os usuários, ele simplesmente alterou a política de privacidade, permitindo o acesso de menores. O interessante foi permitir a customização do perfil, permitindo (inclusive) a adição de código HTML. Em Julho de 2005, a News Corporation comprou o MySpace por US$ 580 milhões, atraindo uma série de reportagens e cobertura da mídia.

O MySpace teve grandes quantidade de adeptos dos Estados Unidos e crescendo também por toda a comunidade global. Friendster obteve sucesso nas Ilhas dos Pacífico, Orkut se tornou a rede social mais utilizada no Brasil (e depois na Índia). Hi5 foi adotada em pequenos países da America Latina, America do Sul e Europa. Bebo se tornou popular no Reino Unido, Nova Zelândia e Austrália.

A rede social que depois se tornou a maior rede social do mundo, Facebook, foi criada originalmente para servir apenas para interações entre os estudantes da Harvard. Inclusive, quando eu entrei na rede, ela ainda estava se “desfazendo” de todo esse passado. Era necessário se cadastrar usando alguma escola existente. E caso você não fosse confirmado como estudante sua conta seria desabilitada. Isso aconteceu comigo. Ainda era estudante de um colégio do Ensino Fundamental (2) e me expulsaram da rede. Consegui obter a conta de volta, algum tempo depois.

Em setembro de 2005, o Facebook iniciou sua expansão para estudantes do ensino médio, profissionais dentro de redes corporativas e por último, foi aberto para todo o mundo. E em pouco tempo se tornou a maior rede social do mundo, com mais de 500 milhões de usuários.

O presente herda do passado diversos acertos mas, também traz alguns erros graves (e que culminaram com o fim de diversas redes sociais). O Orkut, por exemplo, atinge diversos públicos. Inclusive os criminosos.

Não estamos vivendo o melhor momento das redes sociais. Tudo ainda está muito “embaçado”. É sim, o melhor tempo para se investir em redes sociais. Mas, não considerem isso uma solução definitiva. Redes sociais grandes podem não suportar todos os seus membros e começarem a “cair”. A rede social Bebo, por exemplo, não estava dando lucros à AOL e foi vendida para um comprador desconhecido.

Temos uma parcela bem definida nas redes sociais. E às vezes, desconsideramos outras redes sociais para considerar apenas a área: Estados Unidos. Acredito que nos termos “rede social” essa prática deveria ser deixada para trás. Pelo simples fato de que: se você for investir em um anúncio e considerar a maior rede social do mundo, o Facebook, e investir para uma campanha que acontece no Brasil, você terá um número menor de brasileiros do que no Orkut, por exemplo.

Atualmente temos a seguinte situação das grandes redes mundiais: Facebook crescendo cada vez mais, MySpace com graves problemas como a perda de mais de 40% dos seus usuários. O Orkut também está em decadência mas, ainda lidera com a quantidade de brasileiros. O Twitter é um caso a parte.

Eu considero o Twitter uma rede social diferente. Seu objetivo principal não é fazer amizade. Mídia social é um nome mais digno para o Twitter. Eu acredito sim, em uma diferença entre Rede Social e Mídia Social. Apesar da Wikipédia definir as duas coisas como algo parecido. Para mim, a definição poderia ser assim: Redes Sociais: Ferramentas que promovem a interação entre usuários, com o objetivo de provocar um relacionamento. Seja de amizade, seja amoroso, seja profissional. Como algo complementar, as redes sociais podem ser usadas para informar algo mas, seu objetivo principal não é esse. Mídias Sociais: Ferramentas que facilitam a comunicação por pessoas, jornalistas e empresas. Pode ser utilizado para promover encontros, reuniões e debates. Como algo complementar, as mídias sociais podem ser utilizadas para provocar um relacionamento. Para criar um relacionamento.

Quais seriam as Redes Sociais? Orkut, Facebook, MySpace, LinkedIn. Todos eles, cumprem seu objetivo principal de criar um relacionamento. Quais seriam as Mídias Sociais? Twitter, Flickr, Picasa, YouTube. Cumprem seu objetivo principal de informar algo. Seja com texto, foto, vídeo.

E onde entraria o Foursquare? Em mídias sociais. Ele ainda cumpre o seu objetivo de informar mesmo que, muitas pessoas fazem competições para quem obtiver o maior número de insígnias. Mas, é para informar o que? Análises de locais, quantidade do público de um local, público médio, gostos pessoais. Por último, seu objetivo é criar um relacionamento. Objetivo principal: informar. Eu sei que o Facebook estreou a sua função de geolocalização para concorrer com o Google e o Foursquare. É chamada Places e tem o mesmo objetivo do Foursquare. Considerem isso um complemento para uma rede social. Mas, se o Places fosse algo independente, ele seria uma mídia social.

Claro que isso são as minhas opiniões. Vocês estão livres para discordar. E eu não sou nenhum analista de mídias sociais. Por enquanto, sou apenas um curioso que está fazendo o máximo para apreender (com quem sabe. E o Cristiano Dias sabe. Mas, o Cristiano sabe de tudo? Não. Ninguém sabe. Nem o criador Facebook, nem do Orkut, nem do MySpace. Ninguém sabe para onde vão as redes sociais).

Mas, quer ver uma aplicação correta do termo? A Coréia do Norte recentemente estreou seu canal no Twitter e no Facebook. Seria correto falar que a Coréia do Norte entrou no Twitter e no Facebook para fazer amizade?

Eu ainda vou continuar falando sobre o presente. Mas, uma pausa para algo bem curioso. Estou dando uma olhada no “passado” do Mashable. Para mim, o blog que é referência em mídias e redes sociais. Em um artigo o Pete Cashmore destaca que o fundador do YouTube afirma: Não estamos à venda. Isso foi a 4 anos atrás. E como sabemos, algum tempo depois o YouTube foi comprado pelo Google por um valor bem salgado. O Facebook não era nem citado no Mashable, e percebíamos uma grande predominância do MySpace e Google nos termos.

Voltando ao presente. E começando as perguntas para o futuro:

  1. Serão essas as redes sociais dominantes em um futuro bem próximo? O Facebook, MySpace, Orkut.
  2. As atuais mídias sociais: Blog, Twitter, Picasa, Flickr continuarão sendo as principais fontes de informação?
  3. Como será o futuro dos meios tradicionais: jornais, televisão, rádio?
  4. Como será tratada a privacidade dos visitantes em um futuro próximo?

A primeira pergunta: acho meio difícil. O Facebook é uma rede social em ascensão. Está em crescimento acelerado e mais cedo ou mais tarde vai englobar toda a população do MySpace e do Orkut. Sem dúvida, chegar aos 1 bilhão de usuários vai ser algo fácil e que deve ocorrer em 5 anos, no máximo.

Dou um prazo para a “morte” do MySpace: 2 anos. Se não houver nenhum ajuste, e continuar do jeito que está, quem sabe 2 anos não seja muito. O Orkut vai continuar até o lançamento da nova rede social do Google. A empresa vai dar um período para que as pessoas migrem para a nova rede (ou vão migrar todos) e o Orkut será extinto.

Outras redes sociais surgirão. Algumas podem até alcançar os 100 milhões de usuários. Inclusive, é provável que alguma rede social desenvolvida no Brasil alcance os 50 milhões de usuários. Essa rede futuramente será comprada por uma maior. Quem sabe, o Facebook.

As atuais mídias sociais continuarão sim, sendo as principais fontes de informação. O Picasa é em relação ao Flickr, um lápis em relação à uma bomba de hidrogênio. Ele pode até furar um olho mas, o Flickr está em uma grande vantagem. Twitter sofrerá mudanças quanto a sua forma de monetização e poderá vir a ser adquirido pelo Google. O YouTube sofrerá algumas mudanças e pode vir a ser incluso como funcionalidade extra na nova rede social do Google.

Os jornais como é apresentado serão extintos. E darão espaço para comentários, em tempo real, dos assinantes. Inclusive, qualquer fraude ou plágio será facilmente identificado, pela rapidez que a informação é divulgada. As televisões apresentarão uma interatividade muito maior do que as atuais (mesmo as digitais). O rádio ainda será uma rede muito utilizada.

Será criado um órgão mundial de controle de privacidade. Isso pode ser usado como algo positivo mas, é claro, sempre haverá uma desconfiança. Esse órgão rege o que cada rede social pode adotar e verifica falhas nas políticas de privacidade.

Inclusive, acredito que no futuro, não teremos várias redes sociais dominantes. Algo como: uma para os Estados Unidos, outro para o Japão. As redes sociais dominantes serão duas e elas serão globais. Uma será o Facebook. E quem sabe, a outra não seja o Google Me.

Em breve, veremos bilhões sendo investidos em redes sociais pelos publicitários. Ela, no futuro, trará mais retorno do que os outdoor e não esbarrarão nas políticas de “poluição visual” das cidades.

Enquanto isso, você pode me seguir no Facebook e no Twitter e daqui a cinco anos, me xingar caso nenhuma das idéias que tive se tornarem realidade. OU, me dá 10 milhões de dólares a cada idéia que acertei. :-)

Se você encontrar algum erro no texto, favor postar aqui nos comentários. Se tiver dúvidas, ou então quiser debater sobre o assunto, também usem os comentários. Serve para informar, e aí eu e você estaremos cumprindo a função do blog, que é ser uma ferramenta de mídia social. Não vou fazer nenhuma predição apocalíptica, por que sei que isso é algo que não existe. O futuro será sim, com redes sociais. E a Internet vai existir por um bom tempo. Inclusive agora, com a mudança para o IPv6. Mas, isso a gente deixa para um blog de tecnologia.

Fonte:

 Redes Sociais: Passado, presente e futuro

Artigo por Yeltsin Lima

Curso o primeiro período de Publicidade & Propaganda na Faculdade Integradas Barros Melo (AESO), sou colaborador do Meio Bit e fundador do DicasWP.

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