Usando a religião como arma contra as minorias

Post escrito por Yeltsin Lima

A revolta está presente cada vez mais em meu dia-a-dia. Talvez de ver amigos serem humilhados, espancados e até mortos por uma característica: homossexualidade. E o ponto que eu vou entrar nesse logo artigo de opinião é simples: até que ponto a religião é benéfica para a sociedade?

Vivemos em um país em que a grande maioria da população não terminou o Ensino Médio e os que terminaram poucos partem para o Ensino Superior. Desses que terminaram, a grande maioria passou o colégio, mas não sabe interpretar. São os famosos analfabetos funcionais. E aí entra a falta de informação, que leva o preconceito e a práticas horríveis.

A muito tempo, venho defendendo publicamente a homossexualidade. Antes de forma mais tímida, agora de forma mais explícita. Por que? Por saber que existem amigos que já passaram por situações do tipo, que saem na rua com medo de serem espancados, mortos, assassinados, humilhados. Assim como mulheres também possuem um medo bem semelhante. Que evitam visitar locais voltados para o público GLBTS, por medo que aconteça algo.

E tenho amigos que foram humilhados pelos próprios familiares. Muitos em que a religião atua como peça fundamental em sua residência. Em que todos os seus atos são controlados pela religião. O que eu digo, é que não é errado acreditar em Deus, ao contrário, acredito sim, em uma força superior que nos criou e que ainda está presente em nossas vidas. Mas deixei de acreditar em religião, principalmente nas cristãs. Principalmente naquelas em que os líderes religiosos querem impor um modo de viver para a sociedade. Para os que vivem nela e para aqueles que não tem nada a ver com a religião.

O engraçado é que tanto aqui, quanto nos Estados Unidos, usam a questão de manter o significado de família, quando reclamam contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Em qual parte de: a família já foi destruída pelos próprios casais heterossexuais que esses líderes religiosos não entenderam? É tão fácil encontrar homens casados com amantes, com garotas e garotos de programa. Sim, uma vez freqüentei um clube, e vi diversos homens casados pegando outros homens. Ora, que tipo de vida enrustida é essa? É com medo de ferir os valores da família? Acho que iludir a sua família, passando uma imagem de heterossexual e na verdade ser bissexual ou homossexual é bem pior.

Na verdade, esses valores da família, nunca foram, na verdade, seguidos. E parece que o casamento entre pessoas do mesmo sexo é um “estopim” para que os líderes usem como: “Olha, isso vai acabar com os valores”. Não vai acabar, por que já não existem mais valores. Em um país em que considera normal trair sua esposa com outra mulher, casamento entre pessoas do mesmo sexo deveria ser algo completamente aceitável.

Mas aí vem a hipocrisia. A mesma que eu citei lá no meu Twitter: “Que baixamos vídeos, músicas, aplicativos e jogos piratas. E condenamos a pirataria”. É basicamente a mesma coisa: “Podemos ter filhos homossexuais [e não sabemos] e condenamos a homossexualidade”. E acreditem, para os filhos, isso é como receber uma facada todos os dias no coração.

Sei, por que eu já senti isso. Sendo gay, as coisas ficam bem mais difícil para você. Primeiro, pelo medo de sofrer preconceito, segundo por ter medo de nunca ser contratado ou por algo parecido. Mas na verdade, ser gay é apenas uma característica. Como ser negro ou branco também é.

Pena que vários líderes religiosos usam a religião e os ensinamentos da bíblia como forma de dizer que “homossexualismo é uma sina” (notem que eu empreguei a palavra homossexualismo. Pelo simples fato de que é assim que eles falam. Existe alguma diferença? Sim. Homossexualismo foi quando o estado de homossexual era considerado doença. Algo que a própria OMS retirou depois). E o que são padres pedófilos, religiosos ladrões, assassinato em nome de deus, guerras em nome da religião? São algo aceitáveis pela bíblia? Pois parece que são.

Na verdade, as religiões como um todo, se transformaram em um grande veículo de manipulação. Tanto a católica quanto a evangélica (e todas as suas variações). Chamam as tentativas dos homossexuais de criarem leis para se defenderem como uma ditadura gay. Engraçado, por que nós somos adestrados a seguirmos regras de convivência baseado na religião, desde que nascemos. E inclusive, temos aula de religião. E na ditadura, aulas de religião voltaram a ser ensinadas. O que acontece, e o que volto a falar, é que existe sim uma hipocrisia. Primeiro, pela proibição de existir aulas de aconselhamento sexual (não falo do Kit Gay). Ora, principalmente no Brasil, as crianças são ensinadas desde cedo de que sexo é bom. São bombardeadas com o funk carioca, com mulheres gostosas balançado a bunda na televisão, com o famoso “+18″ sendo algo como “<=18″. Mas ensinar as crianças de que fazer sexo seguro ou prevenir para evitar gravidez indesejada, é algo considerado horrível.

E o mais recente é a tentativa dos religiosos de acabar com o casamento gay, que foi recentemente oficializado no Brasil. Pela velha e famosa frase: “está acabando com os valores da família”.

Desde que vi diversos atos da Igreja, perdi minha fé na religião. Se existe uma religião que eu tento me espelhar, é a que grande parte dos teólogos e religiosos dizem que não é uma religião. É apenas uma filosofia de vida, que é o budismo. Uma das poucas que não pede dízimo para os seus fiéis.

Inclusive, engraçado esse tal do dízimo. Dinheiro que se diz ser usado para “melhorar a estrutura da igreja e ajudar em suas obras com o povo”. Aqui em Recife, abriram uma igreja evangélica que parece mais um shopping, de tão grande que é. Toda parede de vidro, e com uma estrutura de dar inveja. Existe um pastor em meu prédio, e o seu carro é uma Hilux com motorista.

Enquanto isso, em frente ao meu edifício, dois meninos de rua dormem. Levando todos os dias, de madrugada, seu colchão de um lado para o outro. Tentam se distanciar das luzes, tentam sobreviver dia-a-dia, pedindo dinheiro, comida para os que passam em sua frente e nem olham, e se olham é pra falar algo como: “Vai trabalhar!” ou seguram suas bolsas e colocam suas mãos no bolso, com medo de serem assaltados.

E assim caminha o Brasil. Para um futuro dominado pela religião. Em que homossexuais são mortos todos os dias e se eles lutam pelos seus direitos são chamados de Ditadura Gay. Em que meninos e meninas de rua, dormem embaixo da ponte, em uma rua suja com ratos e baratas passando todo segundo, passam fome, estão sujeitas à drogas, sofrem doenças e morrem por não terem tratamento adequado, levam chuva, dormem no chão e todos os dias enfrentam olharem de um povo que se diz livre de preconceito. Em que pastores usam carros caríssimos com o dinheiro de um povo que diz acreditar que o dízimo realmente vai para a igreja e que doa 10% do seu salário, alimentando uma verdadeira indústria de lavagem de dinheiro.

E as pessoas ainda perguntam por que eu não tenho orgulho de viver no Brasil.

 Usando a religião como arma contra as minorias

Artigo por Yeltsin Lima

Curso o primeiro período de Publicidade & Propaganda na Faculdade Integradas Barros Melo (AESO), sou colaborador do Meio Bit e fundador do DicasWP.

3 Comentários
  • Fellipe Soares disse:

    Acredito que o título do artigo já diz tudo. O fato de usar a religião, não condiz com o fato de que “a religião” ou os seus líderes pensem desta forma.

    Também tenho amigos que são criticados pelos próprios familiares (e quem, no mundo de hoje, não tem um amigo assim?), e não te diria que seus atos foram controlados por religião, pensamento político, científico ou filosófico, mas sim por preceitos. Se perguntarmos aos nossos avós como as pessoas respondiam à uma provocação desse tipo, pode-se entender o motivo de tanta preocupação nos dias de hoje. Seriam esses então os valores de família? Não sei.

    O Brasil é um país laico. O Estado não deve interferir em questões religiosas, e vice-versa. A união homoafetiva foi aceita no Brasil e EU, particularmente, não vi nenhuma união do tipo. Seria então “fogo de palha”? Essa decisão foi o mesmo que “legalizar a pirataria”. “Já fazíamos isso mesmo, não mudou nada”, diria um cara que baixa seus filmes e músicas pela internet.

    Manipulação é um termo pesado. Não se pode comparar uma filosofia (independente da religião ou país) que já está presente com uma preferência sexual. Fosse assim, não celebrariam Páscoa, ou mesmo Natal. Do contrário. Celebram as datas sem mesmo saber o porquê delas. A tal união não afeta então valores presentes nas raízes de europeus, asiáticos, africanos e ocidentais?

    É necessário conhecer as pontas, para que se possa criticar um ponto ao meio. Ora, quando um sacerdote é, como disse, pedófilo, são tomadas providências pela Igreja para tal. A pedofilia então seria uma doença psicológica, passível de existir em qualquer ser humano com um passado tendencioso que o leve a isso. O candidato a presidência da Suécia aprova uma “pedofilia clássica” como objetivo de campanha. “Ah, mas são casos extremos!”, acha mesmo que ele não irá vencer o pleito? Tenho minhas dúvidas…

    Sou católico, mas não uso de minhas palavras para defender a Igreja, somente como forma de opinião pessoal. Mas, reconheço a doutrina como uma linha-guia para qualquer assunto em particular, como o homossexualismo (sim, homossexualismo, ou seria catolicismo, iluminismo e budismo também uma doença? Os “-ismos” são posições filosóficas. Homoafetividade seria uma relação de afeto entre “homo sapiens”. Péra, isso já existe, desde o princípio!) ou qualquer outro caso semelhante. Essa linha-guia me instrui de que, pessoas com este pensamento, são pessoas comuns, assim como nós e que, se querem permanecer na fé, e conhecer o que a Igreja pensa e como ela pode ajudá-la, é lhe dada ajuda. Dá-se ajuda a quem se faz necessitado dela. Você não sai dizendo por aí o que é certo ou errado para qualquer pessoa.

    Enfim, minha opinião. O espaço é livre!

  • A podridão sacerdotal-religiosa é notória, para quem tem olhos para ver e ouvidos para ouvir. Convém conhecermos, entretanto, as estratégias, discursos e argumentações falseadas, porém poderosamente sedutoras, com as quais a imundície sacerdotal seduz, submete ideologicamente, explora economicamente e mobiliza suas ovelhas simplórias. Precisamos conhecer tais falseamentos, para podermos desmascarar a picaretagem sacerdotal, por dentro dos argumentos deles, face às suas ovelhas e simpatizantes.

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